Em 1964, Salvador receberia a visita de uma turista que faria um registro etnográfico, histórico e raro. Seu nome era HELINA RAUTAVAARA, uma finlandesa apaixonada por culturas estrangeiras, que possuía uma loja em Helsinki chamada “África”.
Acostumada a viajar pelo mundo não demorou a conhecer o Brasil, foi para cidade de Salvador, na Bahia. Por lá esteve entre 1963 e 1964. E depois voltou, chegando a morar entre 1969 e 1971. Fazendo contato com pesquisadores locais foi levada para conhecer os famosos terreiros de candomblé e as tradicionais academias de capoeira. Registrou tudo que pôde chegando a entrevistar os mestres de capoeira Waldemar, Traíra, Gato Preto e Pastinha. É dela um dos raros registros fonográficos da roda de capoeira da Ladeira do Pelourinho, que tanto encantava turistas do mundo inteiro. Na sua segunda passagem em Salvador, ela se envolveu com o famoso Mestre de capoeira DI MOLA do Mercado Modelo. O intenso amor vivido pelos dois serviu de inspiração para JORGE AMADO o incluindo na obra Tenda dos Milagres, mudando o nome dos dois para os personagens Pedro Archanjo e a finlandesa Kirsi.
O acervo reunido por Helina, nas suas viagens pelo mundo, preenchia 5 apartamentos na capital Helsinque. Depois do seu falecimento em 1998, a família decidiu criar um Museu para exposição do grande acervo guardado por ela tanto em sua casa como na loja. Sua história de vida é mais uma prova de como a cultura brasileira causa impacto por todo o mundo. Enquanto isso, nos dias atuais ainda é possível se deparar com episódios de preconceito e discriminação com nossos folguedos e tradições de matriz africana e indígena por segmentos de nossa própria sociedade. Muitas vezes estimulados por correntes religiosas que difundem equivocadas interpretações dos textos sagrados.
Está disponível no Youtube a entrevista que Helina fez com Mestre Pastinha em sua própria academia, no momento que estava sendo realizada sua lendária roda de capoeira no Sobrado que foi sede do seu grupo CECA (Centro Esportivo de Capoeira Angola) onde hoje fica o Restaurante do SENAC no Largo do Pelourinho. A gravação original mostra a lendária bateria do CECA gravada em 1964, mostrando uma perfeita cadência entre os berimbaus e demais instrumentos, num andamento que convida os espectadores a entrar na roda. O Link é: www.youtube.com/watch?v=hp88iD-O7mQ&t=624s&fbclid=IwAR13l1P5ybRgHhTdWyKzq1oMtkKR9Z5Kbq8k19AsYHan63NBu6gSSeAiTfM
Para quem se interessar, também há uma entrevista dada por ela no ano de 1996. Contando sobre sua experiência no Brasil. O Link é: www.facebook.com/andre.marinho.9277/posts/10214711587369765.
As fotos que aparecem no vídeo foram tiradas também pela própria durante a visita. Era o dia de comemoração do 02 de julho, data sempre lembrada pelo mestre, como o dia da expulsão das tropas portuguesas do território brasileiro, batalha travada na Bahia, em 1823. Registro histórico !!!
Esses e outros documentos também estão disponíveis no Museu HELINA RAUTAVAARA, sediado na capital Helsinque. Na Finlândia, a cultura brasileira é devidamente respeitada.
André Luiz S. Marinho
(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)
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