Há 40 anos nos deixou um gênio do samba. Sambista e boêmio, o pai tocava flauta em rodas de choro e samba na década de 1930. Presenciou na infância o surgimento do bloco carnavalesco chamado “VAI COMO PODE”. Aprendeu jovem a tocar violão e cavaquinho, jogou capoeira e a costumava ir a terreiros de candomblé. Como integrante da escola de samba Vai Como Pode, ele participou do núcleo original de sambistas que fundou a Portela.
Em 1953, Candeia compôs seu primeiro samba para a nova escola de samba, “Seis datas magnas”, em parceria com Altair Marinho, que conseguiu a nota máxima do júri, um fato inédito até então. Venceu outras quatro seletivas de samba da Portela: “Festas juninas em fevereiro” (1955) e “Legados de Dom João VI” (1957), ambos em parceria com Waldir 59, “Rio, capital eterna do samba” e “Histórias e tradições do Rio quatrocentão”. Sendo também fundador da Ala de compositores da PORTELA.
No início da década de 1960, Candeia ingressou na POLÍCIA CIVIL, assumindo o cargo de investigador, sem abandonar o samba. Sua carreira como policial terminou de modo trágico em dia 13 de dezembro de 1965. Ao se envolver em uma discussão de trânsito, acabou sendo atingido por cinco tiros, um deles alojou-se na medula óssea e o deixaria sem movimento nas pernas. Com a paralisia, foi obrigado a se aposentar por invalidez e passou a se locomover em CADEIRA DE RODAS.
A limitação física o levou a mergulhar em uma profunda depressão. O samba foi seu apoio e salvação. Voltando-se a composição, escreveu os mais belos sambas da década de 70. Cantou a dor do seu peito, sua visão política sobre a posição do negro na sociedade e até sobre a apropriação cultural que começava a acontecer dentro das quadras da Portela. Virou referência.
Em 1975, Candeia lançou um MANIFESTO CRÍTICO aos rumos que a Portela vinha tomando no carnaval, com críticas severas e transparentes a direção, gigantismo, fantasias, alegorias e principalmente ao sambas-enredo, que se prestavam a apenas exaltar datas comemorativas para agrado do Regime Militar. Não foi compreendido e rompeu com a Escola junto com outros e fundou o GRÊMIO RECREATIVO DE ARTE NEGRA – Escola de Samba QUILOMBO, que se propunha a ser uma agremiação carnavalesca diferente, enfatizando principalmente a identidade cultural afro-brasileira.
Com problemas nos rins decorrentes da sua paralisia, Candeia foi internado, mas se recusou a continuar o tratamento, alegando que não tinha tempo. Estava finalizando a gravação do seu quinto LP. Em 1978, o sambista foi internado no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá. Seu estado piorou dois dias depois e Candeia morreu na manhã daquela quinta-feira por conta da infecção renal. O mestre contestador morreu no dia 16 de novembro.
André Luiz S. Marinho
(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)
Veja mais sobre cultura brasileira seguindo:
Instagram – bondeangola
Facebook – André Marinho




