Origem do frevo
Surgido na cidade do Recife no fim do século XIX, o frevo caracteriza-se pelo ritmo extremamente acelerado. Muito executado durante o carnaval, eram comuns conflitos entre blocos de frevo, em que saíam à frente dos seus blocos para intimidar blocos rivais e proteger seu estandarte.
Pode-se afirmar que o frevo é uma criação de compositores de música ligeira, feita para o carnaval. Os músicos pensavam em dar ao povo mais animação nos folguedos. No decorrer do tempo, o frevo ganhou características próprias.
Dança
Da junção da capoeira com o ritmo do frevo nasceu o passo, a dança do frevo das utilizadas inicialmente como armas de defesa dos passistas que remetem diretamente a luta, resistência e camuflagem, herdada da capoeira e dos capoeiristas, que faziam uso de porretes ou cabos de velhos guarda-chuvas como arma contra grupos rivais. Foi da necessidade de imposição e do nacionalismo exacerbado no período das revoluções Pernambucanas que foi dada a representação da vontade de independência e da luta na dança do frevo.
A dança do frevo pode ser de duas formas: quando a multidão dança, ou quando passistas realizam os passos mais difíceis, de forma acrobática durante o percurso. O frevo possui mais de 120 passos catalogados. Na década de trinta houve a divisão do frevo em: Frevo-de-Rua, Frevo-Canção e Frevo-de-Bloco.
FREVO-DE-RUA – É o mais comumente identificado como simplesmente frevo, cujas características não se assemelham com nenhuma outra música brasileira, nem de outro país. O frevo-de-rua se diferencia dos outros tipos de frevo pela ausência completa de letra, pois é feito unicamente para ser dançado. Na música é possível distinguir-se três classes: o frevo-abafo ou de encontro, no qual predominam os instrumentos metálicos, principalmente pistões e trombones; o frevo-coqueiro, com notas agudas distanciando-se no pentagrama e o frevo-ventania, constituído pela introdução de semicolcheias.
FREVO-CANÇÃO – Nos fins do século passado surgiram melodias bonitas, tais como A Marcha n° 1 do Vassourinhas, atualmente convertido no Hino do carnaval recifense, presente tanto nos bailes sociais como nas ruas, capaz de animar qualquer reunião e enlouquecer o passista. O frevo-canção ou marcha-canção tem vários aspectos semelhantes à marchinha carioca, um deles é que ambas possuem uma parte introdutória e outra cantada, começando ou acabando com estrebilhos.
FREVO-DE-BLOCO – Deve ter se originado de serenatas preparadas por agrupamentos de rapazes animados, que participavam simultaneamente, dos carnavais de rua da época, possivelmente, no início do presente século. Sua orquestra é composta de Pau e Corda: violões, banjos, cavaquinhos, etc.
A dança do frevo e a tradicional sombrinha
O Frevo dança – Vários elementos complementares básicos compõe toda dança, em especial no frevo os instrumentos musicais serviam como arma quando se chocavam agremiações rivais. A origem dos passistas são os capoeiras que vinham à frente das bandas, exibindo-se e praticando a capoeira no intuito de intimidar os grupos inimigos. Os golpes da luta viraram passos de dança, embalados inicialmente, pelas marchas e evoluindo junto com a música do frevo.
::A SOMBRINHA – Outro elemento complementar da dança, o passista à conduz como símbolo do frevo e como auxílio em suas acrobacias. A sombrinha em sua origem não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas pela necessidade de ter na mão como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida.
Manifestação de origem popular, que surgiu entre as classes trabalhadoras, o frevo incorporou-se ao carnaval pernambucano, sobreviveu aos séculos, evoluiu e terminou por transformar-se em Patrimônio Imaterial da Humanidade, título que lhe foi conferido em 2012 pela Unesco.
Resultante de iniciativa conjunta da Prefeitura de Recife, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e da Fundação Roberto Marinho, o Paço tem por objetivo salvaguardar e perpetuar a riqueza do frevo, com exposições permanentes e temporárias, escola de música, de dança, estúdio para gravação e ainda uma rádio on-line inteiramente dedicada ao ritmo.
Assim, o térreo conta com o Centro de Documentação e Pesquisa Guerra-Peixe, café, lojinha e uma exposição permanente, com a evolução do frevo, de 1900 até os dias de hoje.
O primeiro andar tem escola de música, estúdio de gravação, a rádio (em fase de estruturação), salas de aula coletivas e individuais e áreas para apreciação musical. No segundo ficam salas para oficinas e espaço para exposições temporárias. A primeira, já em cartaz, é dedicada ao bairro de São José, um dos recantos mais tradicionais da cidade. No terceiro pavimento fica outra exposição permanente, com estandartes em vitrines horizontais e espaço para apresentações de grupos carnavalescos.
Há estandartes antigos como o da primeira agremiação de frevo registrada no estado — O Homem do Cachorro do Miúdo — até os de grupos anárquicos e mais recentes, como Eu Acho é Pouco e Nóis Sofre Mais Nóis Goza, que surgiram na década de 1970, como protesto contra a ditadura. Os mais curiosos contam, ainda, com um curioso glossário de 91 verbetes relativos não só ao frevo como ao carnaval: arrasta povo, flabelo, frevo abafo, frevo coqueiro, jetones e outros.
O Paço do Frevo foi idealizado e construído ao longo de quatro anos, por cerca de R$13,2 milhões. Ele nasce com uma proposta educacional a ser implementada pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), organização social que ficará responsável pela sua administração. Serão 50 educadores envolvidos nas atividades do seu núcleo educativo. Num esforço de se garantir a continuidade de nossas manifestações culturais.