{"id":870,"date":"2021-11-17T13:14:02","date_gmt":"2021-11-17T13:14:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=870"},"modified":"2023-02-28T13:27:31","modified_gmt":"2023-02-28T13:27:31","slug":"vila-de-santo-antonio-de-sa-as-ruinas-de-uma-cidade-fantasma-no-rj","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=870","title":{"rendered":"VILA DE SANTO ANT\u00d4NIO DE S\u00c1 \u2013 As ru\u00ednas de uma cidade fantasma no RJ"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 153 anos era declarado por Decreto (Dec. n\u00ba 1379 de 6\/11\/1868) o fim da vila de SANTO ANT\u00d4NIO DE S\u00c1, que foi transferido para &#8220;o arraial&#8221; da FREGUESIA de Sant&#8217;Anna de Macacu e posteriormente, em 1875, foi anexada ao munic\u00edpio de Itabora\u00ed. Era o fim daquela que chegou a ser a 4\u00aa maior Vila do Brasil.<\/p>\n<p>A Vila de Santo Ant\u00f4nio de S\u00e1 foi a 2\u00aa Vila fundada no Estado do Rio de Janeiro, sua necessidade surge ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos Franceses da Cidade do Rio de Janeiro. A Coroa Portuguesa iniciou uma pol\u00edtica de distribui\u00e7\u00e3o de terras no entorno do chamado REC\u00d4NCAVO DA GUANABARA, tendo na sua entrada os morros do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, Cara de C\u00e3o e Urca de um lado e a cidade de Niter\u00f3i do outro da ba\u00eda, estendendo-se at\u00e9 a atual Mag\u00e9 (na Baixada Fluminense). Com objetivo de povoar essa enorme regi\u00e3o do entorno, controlar as rotas para o interior, restringir o acesso as minas do interior (regi\u00e3o da atual Cantagalo e divisa com MG) e se prevenir de futuras investidas daqueles que foram o grande inimigo de Portugal em terras cariocas, os CORS\u00c1RIOS FRANCESES a ocupa\u00e7\u00e3o se iniciou as margens do RIO MACACU.<\/p>\n<p>O primeiro donat\u00e1rio a receber sesmarias do Governador Geral, TOM\u00c9 DE SOUZA, foi Miguel de Moura, escriv\u00e3o da Fazenda, que ap\u00f3s um tempo as doou para os jesu\u00edtas. Ap\u00f3s isso houve um desenvolvimento da regi\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o do aldeamento de S\u00e3o Barnab\u00e9, atual ITAMBI, distrito de Itabora\u00ed, e se estabeleceram igualmente na Fazenda do Col\u00e9gio, hoje PAPUCAIA, distrito de Cachoeiras de Macacu. Nascia a Freguesia de Santo Ant\u00f4nio de Macacu ou CASSERIBU. Com a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas da col\u00f4nia ela passa ser administrada pelo Governador da Capitania do Rio de Janeiro, Capit\u00e3o-General Artur de S\u00e1 e Menezes, que a eleva a categoria de VILA e acrescenta uma parte de seu nome, virando Santo Antonio de S\u00e1.<\/p>\n<p>Em fins do s\u00e9culo 18, a Vila de Santo Ant\u00f4nio de S\u00e1 j\u00e1 era composta por diversas freguesias: Santo Ant\u00f4nio de S\u00e1 (a sua sede), Nossa Senhora d&#8217;Ajuda de Cernambitiba, Nossa Senhora do Desterro de Itamby; Sant\u00edssima Trindade (hoje o munic\u00edpio de GUAPIMIRIM); S\u00e3o Jo\u00e3o de Itaborahy (hoje munic\u00edpio de ITABORA\u00cd); Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de Tapacor\u00e1; Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de RIO BONITO (hoje munic\u00edpio do mesmo nome); Nossa Senhora da Piedade de Mag\u00e9 (hoje munic\u00edpio de MAG\u00c9) e na Aldeia de S\u00e3o Barnab\u00e9 (depois S\u00e3o Jos\u00e9 d&#8217;Rey). Torna-se a Vila mais importante do Rec\u00f4ncavo da Guanabara. Com a instala\u00e7\u00e3o de uma C\u00e2mara de Vereadores, passou a ter o direito a cobrar impostos e baixar &#8220;posturas&#8221; (esp\u00e9cie de leis municipais), receber um &#8220;juiz de for a&#8221;, pelourinho e cadeia p\u00fablica.<\/p>\n<p>A guerra travada contra os holandeses no nordeste destruiu tr\u00eas conventos franciscanos, o pequeno Convento de Macacu passou a receber esses frades, por isso foi decidida a reforma e amplia\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es, mudando seu nome para CONVENTO DE S\u00c3O BOAVENTURA (Foto acima das atuais ru\u00ednas), no Distrito de Porto das Caixas, e \u00e9 cronologicamente a quinta constru\u00e7\u00e3o conventual da Ordem Franciscana do Brasil. O nome Boaventura \u00e9 uma homenagem a um dos grandes doutores franciscanos do passado, o que reflete a preocupa\u00e7\u00e3o com forma\u00e7\u00e3o de novi\u00e7os do convento. A m\u00e3o de obra utilizada foi de negros africanos e ind\u00edgenas escravizados. Em 04 de fevereiro de 1670, o convento foi inaugurado e os frades passaram a habit\u00e1-lo, o convento objetivava formar mission\u00e1rios, iniciando o noviciado em 1672. Pelo sil\u00eancio do lugar e pela dist\u00e2ncia do burburinho da Cidade do Rio de Janeiro, que come\u00e7ava a crescer, o local era ideal para os candidatos \u00e0 vida franciscana fazerem seu &#8220;ANO DE PROVA\u00c7\u00c3O&#8221; na vida religiosa. Os frades franciscanos tamb\u00e9m se empenharam na assist\u00eancia religiosa na bacia do Rio Macacu e na convers\u00e3o dos \u00edndios da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Havia alguns engenhos de m\u00e9dio e de pequeno porte que produziam mela\u00e7o e rapadura. Os maiores produziam a\u00e7\u00facar. Alguns economicamente mais bem situados produziam AGUARDENTE, importante moeda de troca na compra de negros escravizados. O engenho era um centro economicamente vivo e ativo, dando origem a uma s\u00e9rie de outras atividades econ\u00f4micas, que ajudavam a manter a vida no lugar. No Governo de MARQU\u00caS DE LAVRADIO, foi realizado um estudo, no ano de 1779, aonde constava a rela\u00e7\u00e3o de todos os engenhos da capital. A regi\u00e3o do &#8220;VALE DO MACACU&#8221; em Santo Ant\u00f4nio de S\u00e1 possu\u00eda: 17 engenhos e 2 engenhocas de aguardente, que produziam 255 caixas de a\u00e7\u00facar e 197 pipas de cacha\u00e7a. A Vila de Santo Ant\u00f4nio de S\u00e1 nesta \u00e9poca tamb\u00e9m alcan\u00e7ou o posto de maior produtora de madeira da capitania do Rio de Janeiro. Toda essa produ\u00e7\u00e3o era escoada pelos v\u00e1rios rios que existiam: Macac\u00fa, Guapimirim, Cacerib\u00fa, Guapia\u00e7u, Piracinanga, Guaxindimba e outros que tiveram seus cursos alterados durante o tempo.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1780, a regi\u00e3o j\u00e1 possu\u00eda em torno de oitenta engenhos que embarcavam sua produ\u00e7\u00e3o em 24 portos fluviais em caixas de madeira (origem do nome PORTO DE CAIXAS). O a\u00e7\u00facar era tamb\u00e9m embalado em cer\u00e2micas produzidas nas pr\u00f3prias fazendas, o que gerou a tradi\u00e7\u00e3o das OLARIAS que persiste at\u00e9 hoje no munic\u00edpio aonde os OLEIROS exp\u00f5em e vendem sus produtos na beira da BR-101, entre hoje Tangu\u00e1 at\u00e9 Itabora\u00ed.<\/p>\n<p>Com o aumento da popula\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e a altera\u00e7\u00e3o do curso dos rios, os per\u00edodos de chuva abundantes passaram a alagar muito a plan\u00edcie, inutilizando terras e formando p\u00e2ntanos. Isto motivou a prolifera\u00e7\u00e3o dos mosquitos transmissores da FEBRE AMARELA e da MAL\u00c1RIA. No ano de 1829, tem in\u00edcio uma sequ\u00eancia de surtos epid\u00eamicos, conhecidos como &#8220;FEBRES DE MACACU&#8221; tornam-se end\u00eamicas, com grande perda de vidas e um significativo processo de \u00eaxodo rural. O golpe de miseric\u00f3rdia para a Vila de Santo Ant\u00f4nio de S\u00e1 vem com a inaugura\u00e7\u00e3o da ESTRADA DE FERRO CANTAGALO que ia de Porto das Caixas ao Arraial da Cachoeira (atual sede do Munic\u00edpio de CACHOEIRA DE MACACU), deslocando o eixo de circula\u00e7\u00e3o de pessoal e mercadorias para a nova Estrada de Ferro, situada no sop\u00e9 da Serra. No dia 06 de novembro de 1868 \u00e9 decretado pelo Imperador o fim da Vila e sua anexa\u00e7\u00e3o a Freguesia de Itabora\u00ed a transformando em Vila.<\/p>\n<p>Com a escolha da regi\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do Complexo Petroqu\u00edmico do Estado do Rio de Janeiro (COMPERJ) parecia que a regi\u00e3o iria reviver seu passado grandioso. A cidade de Itabora\u00ed experimentou um &#8220;boom&#8221; imobili\u00e1rio, mas a crise advinda com as investiga\u00e7\u00f5es sobre a corrup\u00e7\u00e3o na PETROBR\u00c1S decorrentes da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato fizeram com que todo investimento parasse. A regi\u00e3o das ru\u00ednas se encontra sobre vigil\u00e2ncia do Cons\u00f3rcio da COMPERJ, que tinha se comprometido com o Minist\u00e9rio P\u00fablico realizar sua restaura\u00e7\u00e3o. As ru\u00ednas s\u00e3o a rel\u00edquia de um passado colonial pujante e que merecem um melhor destino do que o abandono atual.<\/p>\n<p>Que o futuro reserve um destino melhor para os resqu\u00edcios de nosso passado !!!<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz Silva Marinho<\/p>\n<p>(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)<\/p>\n<p>Veja mais sobre cultura brasileira:<br \/>\nInstagram &#8211; @bondeangola<br \/>\nFacebook &#8211; Andre Marinho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 153 anos era declarado por Decreto (Dec. n\u00ba 1379 de 6\/11\/1868) o fim da vila de SANTO ANT\u00d4NIO DE S\u00c1, que foi transferido para &#8220;o arraial&#8221; da FREGUESIA de Sant&#8217;Anna de Macacu e posteriormente, em 1875, foi anexada ao munic\u00edpio de Itabora\u00ed. 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