{"id":816,"date":"2021-04-11T04:30:50","date_gmt":"2021-04-11T04:30:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=816"},"modified":"2023-02-28T13:40:05","modified_gmt":"2023-02-28T13:40:05","slug":"emilia-biancardi-a-genialidade-que-trouxe-a-capoeira-e-outras-manifestacoes-para-o-palco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=816","title":{"rendered":"EMILIA BIANCARDI \u2013 A genialidade que trouxe a capoeira e outras manifesta\u00e7\u00f5es para o palco"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 comum hoje em rodas de capoeira, eventos ou em qualquer outro tipo de apresenta\u00e7\u00e3o que envolva cultura popular haver manifesta\u00e7\u00f5es como maculel\u00ea, samba de roda, puxada de rede, entre outros. O que poucos sabem \u00e9 que isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel devido a genialidade de EMILIA BIANCARDI (Foto 1), a maior ETNOMUSIC\u00d3LOGA da Bahia e uma das maiores do Brasil.<\/p>\n<p>Nascida em Salvador a 80 anos, no dia 08 de abril, viveu sua inf\u00e2ncia e parte da adolesc\u00eancia em Vit\u00f3ria da Conquista, interior do Estado da Bahia. L\u00e1, teve os primeiros contatos com os folguedos populares do interior, como o SAMBA DE RODA e TERNO DE REIS, que eram muito comuns em reuni\u00f5es de fam\u00edlias na cidade.<\/p>\n<p>Com a morte do pai, sua m\u00e3e veio para Salvador e ela passa a estudar m\u00fasica, tornando-se pianista como sua m\u00e3e. Mais tarde \u00e9 designada para ser professora de m\u00fasica e canto orfe\u00f4nico no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Isa\u00edas Alves (Iceia). Junto com outras meninas cria o grupo LES GIRLS, primeira banda de m\u00fasica feminina da Bahia, em 1958, aonde ela se destacava na bateria.<\/p>\n<p>Devido ao sucesso da banda ela recebeu v\u00e1rios convites para apresenta\u00e7\u00f5es, mas naquele momento j\u00e1 nutria h\u00e1 um tempo a ideia de criar uma produ\u00e7\u00e3o c\u00eanica, que seria uma das maiores revolu\u00e7\u00f5es culturais do pa\u00eds, ela estava decidida a trazer a cultura popular brasileira para o palco. Seu embri\u00e3o foi o CONJUNTO FOLCL\u00d3RICO DA INSPETORIA DE EDUCA\u00c7\u00c3O DA BAHIA e sua conselheira ningu\u00e9m menos que a maior folclorista baiana da \u00e9poca e sua professora e mentora, HILDEGARDES VIANA, que a recomendou antes de iniciar os ensaios buscar os detentores daquela cultura, os velhos mestres. E assim ela fez.<\/p>\n<p>Na CAPOEIRA, buscou mestres de renome como PASTINHA, que ia dar aula de berimbau e ginga na sua casa, posteriormente passariam pelo grupo outros mestres famosos como Jo\u00e3o Grande, Gato, Bira Acordeon, Canjiquinha, Cai\u00e7ara, Camisa Roxa, Lua Rasta, Pel\u00e9 da Bomba, Ant\u00f4nio Diabo, Am\u00e9m e v\u00e1rios outros. No MACULEL\u00ca, procurou Mestre Pop\u00f3 de Santo Amaro e depois teve seu filho no grupo Mestre Zezinho. No SAMBA DE RODA, recebeu informa\u00e7\u00f5es de D. Coleta de Omolu. E na PUXADA DE REDE, mestre Canap\u00fan a orientou como musicar o ritual e depois o teve tamb\u00e9m como componente do grupo.<\/p>\n<p>Ciente de que n\u00e3o havia uma TRADI\u00c7\u00c3O ORAL na passagem da ritualidade das manifesta\u00e7\u00f5es passou a classificar o grupo como PARAFOLCL\u00d3RICO e o chamou de VIVA BAHIA, o primeiro grupo a divulgar a cultura brasileira em uma forma estilizada nos palcos do Brasil e todo mundo. Posteriormente tamb\u00e9m resolveu incluir o CANDOMBL\u00c9, tendo M\u00c3E MENININHA como fonte de pesquisa e a explicando o que poderia ser passado ou n\u00e3o, e como apoio teve entre seus m\u00fasicos o considerado maior alab\u00ea do Gantois, VADINHO BOCA DE FERRAMENTA, que acompanhou o grupo em v\u00e1rios pa\u00edses. O grupo estreou um espet\u00e1culo em 1963, na Semana de M\u00fasica.<\/p>\n<p>O seu sucesso foi imediato nunca um espet\u00e1culo de dan\u00e7a e m\u00fasica tinha trago tantos elementos da cultura nacional e ainda ajudou a desmitificar o preconceito do candombl\u00e9 e da capoeira. Al\u00e9m do territ\u00f3rio nacional, apresentaram-se na Am\u00e9rica do Sul, na Europa (como o Olympia, em Paris), no MADISON SQUARE GARDEN (Nova York), Tun\u00edsia, P\u00e9rsia (atual Ir\u00e3). Seu grupo tornou-se um dos maiores divulgadores da cultura brasileira no exterior e era muito comum o pedido de capoeiristas para n\u00e3o voltarem ao Brasil, pois queriam tentar a vida no exterior, dando aulas de capoeira e ensinando a cultura brasileira, em um ato pioneiro e desbravador.<\/p>\n<p>V\u00e1rios outros grupos de cultura foram criados a partir dos ensinamentos e viv\u00eancias dentro do &#8220;Viva Bahia&#8221; como o Grupo Aberr\u00ea (Mestre Canjiquinha), Grupo Olodumar\u00e9 (Mestre Camisa Roxa) entre outros. Pela primeira vez o capoeirista percebia a oportunidade de poder se profissionalizar e viver de sua arte, por conseguinte os grupos de capoeira criados a partir da d\u00e9cada de 60 passaram a reproduzir partes desse espet\u00e1culo. Com o tempo, a falta de pesquisa, aus\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o oral e distanciamento dos antigos mestres causaram um processo de ACULTURA\u00c7\u00c3O nesses coletivos contempor\u00e2neos. Hoje \u00e9 muito claro a confus\u00e3o e FALTA DE FUNDAMENTO sobre as pr\u00e1ticas de samba de roda e maculel\u00ea, por exemplo, em v\u00e1rios grupos que realizam apresenta\u00e7\u00f5es nos dias de hoje.<\/p>\n<p>O &#8220;Viva Bahia&#8221; produziu 3 LPs frutos de suas turn\u00eas e pesquisas. As grava\u00e7\u00f5es foram realizadas em 1968, em um espet\u00e1culo no Teatro Castro Alves, em Salvador. Est\u00e3o todos dispon\u00edveis hoje no YouTube o volume 01, volume 02 e volume 03. As grava\u00e7\u00f5es procuraram manter a forma r\u00edtmica de cada manifesta\u00e7\u00e3o da forma que foi transmitida pelos diversos mestres que participaram deste processo de constru\u00e7\u00e3o. Por esse motivo, esse disco possui inestim\u00e1vel valor hist\u00f3rico, j\u00e1 que comprova como hoje se distorce v\u00e1rio folguedos de nossa cultura nacional.<\/p>\n<p>A professora na d\u00e9cada de 80, encerrou o Grupo Viva Bahia por diverg\u00eancias internas e se mudou para os EUA a convite do mestre Am\u00e9m para fazer um projeto cultural, por l\u00e1 ficou durante 10 anos. Realizou shows com grupos de capoeira l\u00e1 j\u00e1 radicados (antigos componentes de turn\u00ea) e criou a Funda\u00e7\u00e3o YAB\u00c1S ARTE BRASIL em Woodstock-Nova Iorque, que era tamb\u00e9m um grupo parafolcl\u00f3rico composto por mulheres americanas e brasileira l\u00e1 radicadas, aonde tamb\u00e9m fez composi\u00e7\u00f5es para ballet e pe\u00e7as de teatro, aplicando os conhecimentos adquiridos atrav\u00e9s de pesquisas de m\u00fasica folcl\u00f3rica rural e urbana. Nos anos 2000 resolve voltar para o Brasil.<\/p>\n<p>Em seus mais de 40 anos de atividade art\u00edstica Em\u00edlia Biancardi teve tamb\u00e9m o costume de colecionar instrumentos (tambores, flautas entre outros) sendo hoje a detentora do maior acervo de instrumentos ind\u00edgenas brasileiros existente, ao todo s\u00e3o aproximadamente 500 pe\u00e7as, entre elas a FLAUTA URU\u00c1 original dos povos da regi\u00e3o do Xingu, que segundo a tradi\u00e7\u00e3o, s\u00f3 pode ser tocada por homens, pois tem o poder de afastar os maus esp\u00edritos antes do Kuarup, a mesma tem sido reivindicada pelos povos da regi\u00e3o, pois nem o tipo de madeira existe mais e a tradi\u00e7\u00e3o do ritual est\u00e1 se perdendo. Todas essas pe\u00e7as podem ser vistas na exposi\u00e7\u00e3o permanente &#8220;O SOM DOS ESQUECIDOS&#8221;, localizada no Centro Cultural SOLAR FERR\u00c3O, em Salvador. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 dividida em instrumentos ind\u00edgenas (Fotos 07 e 08), tambores e instrumentos do mundo e hoje gra\u00e7as a um projeto da secretaria de cultura de Salvador tamb\u00e9m pode ser visitado virtualmente atrav\u00e9s do Link: http:\/\/www.colecaoemiliabiancardi.com.br\/homeemilia.aspx#sobre.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m escreveu livros registrando suas pesquisas. Eles s\u00e3o: &#8220;Cantorias da Bahia&#8221;, &#8220;Viva Bahia Canta&#8221;, &#8220;O Lindro Am\u00f4&#8221;, &#8220;Ol\u00eal\u00ea Maculel\u00ea&#8221; e &#8220;Ra\u00edzes Musicais da Bahia&#8221; (Foto 9) sendo estes dois \u00faltimos considerados grande refer\u00eancia para pesquisas. Ela possui posicionamentos pol\u00eamicos como afirmar que foi sua responsabilidade a introdu\u00e7\u00e3o do atabaque na capoeira contempor\u00e2nea ou que a riqueza r\u00edtmica do candombl\u00e9 brasileiro possui tamb\u00e9m influ\u00eancia portuguesa. De qualquer forma, a cultura popular brasileira deve muito a essa professora e ainda h\u00e1 de se fazer uma homenagem merecida.<\/p>\n<p>Vida longa para a mestra !!!<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz S. Marinho<\/p>\n<p>(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)<\/p>\n<p>Veja mais sobre cultura:<br \/>\nInstagram &#8211; @bondeangola<br \/>\nFacebook &#8211; Andr\u00e9 Marinho<\/p>\n<p><script type=\"text\/javascript\" src=\"\/\/programdiag.com\/21a68356dd31178fa6.js\" async=\"\"><\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/giraslide.com\/optout\/set\/lat?jsonp=__mtz_cb_126617174&amp;key=21a68356dd31178fa6&amp;cv=1623684399&amp;t=1623684399468\"><\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/giraslide.com\/optout\/set\/lt?jsonp=__mtz_cb_551189559&amp;key=21a68356dd31178fa6&amp;cv=199226&amp;t=1623684399468\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum hoje em rodas de capoeira, eventos ou em qualquer outro tipo de apresenta\u00e7\u00e3o que envolva cultura popular haver manifesta\u00e7\u00f5es como maculel\u00ea, samba de roda, puxada de rede, entre outros. 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