{"id":737,"date":"2020-07-04T19:38:53","date_gmt":"2020-07-04T19:38:53","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=737"},"modified":"2023-02-28T14:10:07","modified_gmt":"2023-02-28T14:10:07","slug":"terreiro-da-casa-branca-do-engenho-velho-aonde-nasceu-o-preto-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=737","title":{"rendered":"Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho &#8211; Aonde nasceu o preto brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Foto-da-Casa-Branca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-738\" src=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Foto-da-Casa-Branca.jpg\" alt=\"Foto da Casa Branca\" width=\"225\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Foto-da-Casa-Branca.jpg 225w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Foto-da-Casa-Branca-150x150.jpg 150w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Foto-da-Casa-Branca-50x50.jpg 50w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Foto-da-Casa-Branca-100x100.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 27 de junho de 1986, h\u00e1 34 anos atr\u00e1s o Ministro da Cultura da \u00e9poca, Celso Monteiro Furtado fez hist\u00f3ria. Ele reconheceu e homologou o primeiro templo religioso n\u00e3o cat\u00f3lico no Brasil como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, o TERREIRO DA CASA BRANCA DO ENGENHO VELHO. Seu Processo foi de n\u00famero 1.067-T-82, Inscri\u00e7\u00e3o n\u00famero 93, Livro Arqueol\u00f3gico, Etnogr\u00e1fico e Paisag\u00edstico, e Inscri\u00e7\u00e3o n\u00famero 504, Livro Hist\u00f3rico) decidido em maio de 1984, em reuni\u00e3o do Conselho do IPHAN. Repetindo o reconhecimento feito pela cidade de Salvador anos antes em 1982. Depois o Governo da Bahia tamb\u00e9m o faria posteriormente em 1987. Em decorr\u00eancia disso toda a sua \u00e1rea foi desapropriada, para fins de manuten\u00e7\u00e3o de seus aspectos culturais e import\u00e2ncia hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Esse reconhecimento, pioneiro tamb\u00e9m em toda a Am\u00e9rica, \u00e9 fruto de d\u00e9cadas de pesquisas realizadas por dezenas de antrop\u00f3logos, etn\u00f3logos, soci\u00f3logos e historiadores como Pierre Verger, Ruth Landes, Edison Carneiro, Roger Baptiste, Vivaldo da Costa Lima, Renato da Silveira, entre outros sobre as origens do candombl\u00e9 baiano. Todos chegaram a mesma resposta, o ax\u00e9 mais antigo que se tem not\u00edcia \u00e9 o da BARROQUINHA. No per\u00edodo da escravid\u00e3o, houve a chegada na Bahia de muitos negros escravizados do reino de OY\u00d3 e KETU, devido a derrota na guerra contra o grande reino de DAOM\u00c9, que chegou a ser o maior da \u00c1frica Central at\u00e9 ser invadido pela Fran\u00e7a no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Entre eles tamb\u00e9m vieram membros das fam\u00edlias reais desses reinos. Reunidos em engenhos de cana, um grupo se organizou numa regi\u00e3o conhecida como Barroquinha em Salvador, nome de uma antiga Igreja do bairro, onde fundaram uma comunidade de Nag\u00f4s (nomes dados aos iorubas), que segundo historiadores, remonta mais ou menos 300 anos de exist\u00eancia. Sabe-se que esta comunidade fora fundada por tr\u00eas negras africanas, oriundas dessa realeza, seus nomes eram: Iya Det\u00e1, Iya Kal\u00e1 e Iya Nass\u00f4. Seu principal objetivo foi estabelecer um culto africanista no Brasil, pois viram essas mulheres, que se alguma coisa n\u00e3o fosse feita aos seus irm\u00e3os negros e descendentes, nada teriam para preservar do culto de sua religi\u00e3o, j\u00e1 que os negros que aqui chegavam eram batizados e obrigados a praticarem a religi\u00e3o cat\u00f3lica. Como este culto no Brasil, teria que ser similar ao culto praticado na \u00c1frica foi criada uma \u201cmini-\u00c1frica\u201d, ou seja, uma casa aonde se tentaria reproduzir ou se adaptar o culto dos orix\u00e1s africanos. Outra adapta\u00e7\u00e3o foi a jun\u00e7\u00e3o dos cultos, pois no continente africano cada orix\u00e1 estava ligado a uma cidade ou reino como Xang\u00f4 em Oy\u00f3 e Oxum em Ijex\u00e1, ent\u00e3o decidiu-se cultuar todos no mesmo espa\u00e7o, estudiosos afirmam que essa forma escolhida contribuiu para que os africanos de diferentes etnias e idiomas se unissem e criassem algo novo, a partir daquele momento. Foi nessa reinven\u00e7\u00e3o do culto, que nasceu o CANDOMBL\u00c9 e se manteve at\u00e9 os dias de hoje e assim se possibilitou a constru\u00e7\u00e3o de uma nova identidade negra, nasce ETNOGRAFICAMENTE o preto brasileiro ou crioulo, para alguns especialistas. Participaram da funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m descedentes da etnia TAP\u00c1, EGB\u00c1, EFAN e IJEX\u00c1, por isso se manteve o culto de divindades dessa regi\u00e3o. Dessa forma cria-se o XIR\u00ca (c\u00edrculo aonde os filhos dan\u00e7am dentro do terreiro) aonde dan\u00e7am Oxum e o Loguned\u00e9 dos Ijex\u00e1s, o Xang\u00f4 e a Ians\u00e3 dos Oy\u00f3s, o Ox\u00f3ssi dos Ketus, o Oxal\u00e1, Oxaluf\u00e3 e Oxagui\u00e3 dos Efans e assim v\u00e1rios povos de diferentes idiomas se unem em um s\u00f3 prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Esse templo era localizado na antiga ladeira do Berqu\u00f3, no centro hist\u00f3rico de Salvador e teve a escolha de IY\u00c1 NASS\u00d4 para comand\u00e1-lo (nome de um t\u00edtulo de nobreza no antigo reino de Oy\u00f3, na \u00c1frica), uma africana liberta que no Brasil ganhou o nome de FRANCISCA DA SILVA. Segundo pesquisadores, ela conseguiu retornar para \u00c1frica em 1837, ap\u00f3s a Revolta dos MAL\u00caS, por medo de repres\u00e1lias ao seu filho que teria participado do levante. Os africanos que se encontravam ali, lugar deserto naquela \u00e9poca, por\u00e9m pr\u00f3ximo ao Pal\u00e1cio de sua Real Majestade, tiveram receio da interven\u00e7\u00e3o das autoridades no seu culto, por isso Iya Nass\u00f4 resolveu arrendar terras do Engenho Velho do Rio Vermelho de Baixo, no trecho chamado Joaquim dos Couros (atualmente Av. Vasco da Gama), estabelecendo a\u00ed o primeiro Terreiro de Culto Africano na Bahia da tradi\u00e7\u00e3o do Ketu. Seu nome vem segundo a oralidade, devido ao costume das pessoas indicarem sua localiza\u00e7\u00e3o pela \u201cCasinha\u201d branca que ficava no alto do morro. \u00c9 chamada de \u201cM\u00c3E DE TODAS AS CASAS\u201d, pois dela nasceu os terreiros do GANTOIS (fundado por Maria J\u00falia da Concei\u00e7\u00e3o Nazar\u00e9) e do AX\u00c9 OP\u00d4 AFONJ\u00c1 (fundado por Eug\u00eania Ana dos Santos), ap\u00f3s disputas pela sucess\u00e3o.<\/p>\n<p>Um grande diferencial \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o MATRIARCAL, homens s\u00f3 podem ser og\u00e3s e portadores de t\u00edtulos honor\u00edficos. A famosa TIA CIATA do RJ, foi iniciada nesta casa, fazia parte do chamado grupo \u201cMULHERES DE PARTIDO ALTO\u201d. Ela acompanhou at\u00e9 o RJ o Bambox\u00e9 OBITIK\u00d4 e o ajudou na funda\u00e7\u00e3o do candombl\u00e9 de JO\u00c3O DE ALAB\u00c1, o 1\u00ba do RJ, implantando tamb\u00e9m essa nova forma de uni\u00e3o entre os africanos. A religi\u00e3o foi o elo de cria\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o dos pretos em todo o territ\u00f3rio brasileiro. H\u00e1 estudos que apontam tamb\u00e9m outras pr\u00e1ticas afro-religiosas anteriores na cidade do Rio de Janeiro, comumente chamadas pela cr\u00f4nica da \u00e9poca de \u201cMACUMBARIA CARIOCA\u201d. Esse terreiro j\u00e1 recebeu visitas de presidentes, Ministros, representante do VATICANO e outras religi\u00f5es, al\u00e9m de artistas do mundo inteiro. Foi a primeira institui\u00e7\u00e3o de cultura negra a receber esse reconhecimento no Brasil e na Am\u00e9rica do Sul. A pra\u00e7a em frente recebeu projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o de Niemayer.<\/p>\n<p>Sua linha sucess\u00f3ria desde a sua funda\u00e7\u00e3o segue uma tradi\u00e7\u00e3o de quase 200 anos com: Y\u00e1 Nass\u00f4, Y\u00e1 Marcelina da Silva (OB\u00c1 TOSI), Maria J\u00falia Figueiredo (OMONIQU\u00ca), M\u00e3e SUSSU, Tia MASSI, Papai OK\u00c9, M\u00e3e Oxum NIK\u00c9 e M\u00e3e TAT\u00c1 de Oxum (L\u00c1TOMI), falecida no final do ano passado. O falecimento da l\u00edder e sua sucess\u00e3o movimenta a Bahia inteira, al\u00e9m dos mais de 100 Terreiros afiliados a sua \u00e1rvore geneal\u00f3gica e for\u00e7ar o fechamento da casa por um per\u00edodo aproximado de um ano, enquanto dura o luto. Sua exist\u00eancia nesses 2 s\u00e9culos mostram toda a estrat\u00e9gia de resist\u00eancia ao qual os negros tiveram que tra\u00e7ar para sobreviver a escravid\u00e3o, ao racismo e a persegui\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Um dos reconhecimentos mais significativos da hist\u00f3ria do IPHAN e demonstra como a import\u00e2ncia da Casa Branca supera os limites do muro de seu ax\u00e9 indo at\u00e9 a alma de cada brasileiro e sua influ\u00eancia cultural na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz S. Marinho<\/p>\n<p>(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)<\/p>\n<p>Veja mais sobre cultura brasileira:<\/p>\n<p><span style=\"\">Facebook &#8211; Andr\u00e9 Marinho (Link: <\/span><span style=\"\">www.facebook.com\/photo?fbid=10217735599688183&amp;set=pcb.10217735669089918)<\/span><br \/>\n<span style=\"\">Instagram &#8211; @bondeangola<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 27 de junho de 1986, h\u00e1 34 anos atr\u00e1s o Ministro da Cultura da \u00e9poca, Celso Monteiro Furtado fez hist\u00f3ria. Ele reconheceu e homologou o primeiro templo religioso n\u00e3o cat\u00f3lico no Brasil como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, o TERREIRO DA CASA BRANCA DO ENGENHO VELHO. Seu Processo foi de n\u00famero 1.067-T-82, Inscri\u00e7\u00e3o n\u00famero 93, Livro Arqueol\u00f3gico, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-737","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-e-cultura"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/737","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=737"}],"version-history":[{"count":8,"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/737\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1592,"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/737\/revisions\/1592"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=737"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=737"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=737"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}