{"id":691,"date":"2020-02-20T21:23:12","date_gmt":"2020-02-20T21:23:12","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=691"},"modified":"2023-02-28T14:17:01","modified_gmt":"2023-02-28T14:17:01","slug":"hilario-jovino-o-primeiro-mestre-sala-do-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=691","title":{"rendered":"Hil\u00e1rio Jovino &#8211; O primeiro mestre-sala do carnaval"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Hil\u00e1rio-Jovino.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-692\" src=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Hil\u00e1rio-Jovino-300x297.jpg\" alt=\"Hil\u00e1rio Jovino\" width=\"300\" height=\"297\" srcset=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Hil\u00e1rio-Jovino-300x297.jpg 300w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Hil\u00e1rio-Jovino-150x150.jpg 150w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Hil\u00e1rio-Jovino-320x317.jpg 320w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Hil\u00e1rio-Jovino-50x50.jpg 50w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Hil\u00e1rio-Jovino-100x100.jpg 100w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Hil\u00e1rio-Jovino.jpg 362w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 comum se dizer que no Brasil, o ano s\u00f3 come\u00e7a ap\u00f3s o carnaval. Exageros \u00e0 parte, pois as contas n\u00e3o esperam tanto para chegar rsrrs, realmente o carnaval est\u00e1 dentro da cultura brasileira com seus personagens e mitos, assim como o sangue nas nossas veias. Entre seus marcantes personagens, h\u00e1 um que possui duplo simbolismo por representar a ess\u00eancia do samba e tamb\u00e9m a resist\u00eancia da capoeira, ele \u00e9 o MESTRE-SALA.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de sua origem come\u00e7a bem longe, nos meados de 1872, quando chega da Bahia o pernambucano, HIL\u00c1RIO JOVINO, tamb\u00e9m chamado de LAL\u00da DE OURO. Morou no morro da Concei\u00e7\u00e3o, comunidade pr\u00f3xima da Central do Brasil. Aqui conheceu uma manifesta\u00e7\u00e3o muito marcante nas ruas da cidade chamada Rancho que sempre desfilava no dia de Reis, lembrando muito a tradi\u00e7\u00e3o do TERNO DE REIS que havia na Bahia. Amante dessa tradi\u00e7\u00e3o se encantou com o DOIS DE OURO, antigo rancho da regi\u00e3o e resolveu criar um para desfilar com sua fam\u00edlia e o chamou de REI DE OUROS, em 1893, mas para n\u00e3o dar confus\u00e3o decidiu que ele s\u00f3 desfilaria depois, na data do carnaval, naquele momento se criava o primeiro RANCHO CARNAVALESCO da cidade. Diferente dos CORD\u00d5ES que j\u00e1 existiam no carnaval, aonde sempre havia brigas e repress\u00e3o por parte da pol\u00edcia, seus primeiros anos se resumiram em encontros dentro das casas dos parentes e vizinhos. A ideia agradou aos moradores do bairro e, posteriormente, ele tamb\u00e9m ajudou na funda\u00e7\u00e3o dos Ranchos Rosa Branca e em seguida, o Bot\u00e3o de Rosa. Foi o fundador tamb\u00e9m em 1899, do rancho &#8220;A jardineira&#8221;, Riso Leal, Reino das Magn\u00f3lias e o mais famoso de todos, o AMENO RESED\u00c1.<\/p>\n<p>O Reis de Ouro apresentou novidades que at\u00e9 hoje permanecem, como a ideia de enredo, o uso de instrumentos de corda e de instrumentos africanos, como pandeiros, tant\u00e3s e ganz\u00e1s. Por mais que as festas de rua fossem criminalizadas, as autoridades gostaram do Reis de Ouro, devido sua organiza\u00e7\u00e3o, e no ano seguinte \u00e0 sua funda\u00e7\u00e3o o rancho chegou a desfilar diante do presidente Deodoro da Fonseca. O apre\u00e7o do presidente n\u00e3o tirou os desfiles da marginalidade, e Hil\u00e1rio foi preso algumas vezes. Nessa fase embrion\u00e1ria do carnaval, Hil\u00e1rio se torna um personagem central, ao tentar levar uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural popular do &#8220;gueto&#8221; para o &#8220;asfalto&#8221;. Estrategicamente ele sempre buscava a inser\u00e7\u00e3o social para ele e seus pares, foi um dos primeiros a solicitar autoriza\u00e7\u00e3o policial para o rancho desfilar, procurou guarida na Guarda Nacional, entrando em seus quadros posteriormente, faz contatos pol\u00edticos que lhe proporcionaram uma rede de prote\u00e7\u00e3o e para muitos pesquisadores foi pioneiro nesse esfor\u00e7o de transformar o carnaval dos Ranchos em um g\u00eanero de massas, lembrando que ainda n\u00e3o podemos falar de samba-enredo, pois o g\u00eanero musical que prevalecia era o maxixe. Essa mudan\u00e7a s\u00f3 ocorreria com a Turma do Est\u00e1cio, a partir de 1920.<\/p>\n<p>Esses Ranchos do final do s\u00e9culo XIX, tinham como destaque seus estandartes, heran\u00e7a do Terno de Reis, que traziam seu nome, s\u00edmbolo e cores e seus desfiles \u00edam at\u00e9 a reda\u00e7\u00e3o do Jornal do Brasil, localizada na antiga Avenida Central (atual Av. Rio Branco) e passavam pela Pra\u00e7a XI, reduto das refer\u00eancias culturais da cidade, a chamada &#8220;Pequena \u00c1frica&#8221;. Com o tempo se iniciou um costume de receber coroas de flores dos donos de funer\u00e1rias da regi\u00e3o, comerciantes endinheirados e respeitados, elas eram dadas para os Ranchos mais bonitos. A disputa por essa coroa teria sido o in\u00edcio das rivalidades entre os ranchos, segundo o pesquisador Tinhor\u00e3o.<\/p>\n<p>Hil\u00e1rio cria uma forma de proteger o estandarte de seu tradicional rancho, que sempre era muito cobi\u00e7ado no carnaval e criou os cargos de BALIZA (atual mestre-sala) e PORTA-MACHADO. O baliza passa a ser um misto de sambista e seguran\u00e7a que ficava sempre do lado do porta-estandarte, na \u00e9poca tamb\u00e9m um homem. Todos devidamente municiados com suas navalhas e atentos a festa e aos ataques. L\u00f3gico que tanta responsabilidade n\u00e3o poderia ser entregue a qualquer um. Os CAPOEIRISTAS tradicionalmente ficavam com essa miss\u00e3o e no caso do Reis de Ouro o pr\u00f3prio Hil\u00e1rio se nomeou, afinal ele juntava todos esses requisitos. Os porta-machados seriam um &#8220;disfar\u00e7ado&#8221; refor\u00e7o que tamb\u00e9m ficava em volta, caso o clima esquentasse, ou seja, outros capoeiristas, ou valent\u00f5es, como se dizia na cr\u00f4nica da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Sua dan\u00e7a e vestimenta, segundo pesquisadores j\u00e1 eram diferentes na \u00e9poca, pois como ele tinha que dan\u00e7ar em volta do estandarte, sem tirar o olho do entorno passa a seguir os passos do minueto, ou inspirados nele, outro legado do passado, pois os negros das fazendas gostavam de imitar as dan\u00e7as dos brancos, comuns nas festas da \u00e9poca da col\u00f4nia. Hil\u00e1rio \u00e9 outro personagem de nossa cultura brasileira que precisa ser mais estudado, ensinado nas escolas e conhecido mundo afora.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 rumores que seria tamb\u00e9m dele a autoria do samba &#8220;Pelo Telefone&#8221;, de autoria atribu\u00edda somente a Donga, junto com Sinh\u00f4 e Tia Ciata.<\/p>\n<p>Obs: Na foto, ele est\u00e1 de casaca preta no centro.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz S. Marinho<\/p>\n<p>(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)<\/p>\n<p>Veja mais sobre nossa cultura brasileira atrav\u00e9s do:<br \/>\n&#8211; Instagram @bondeangola<br \/>\n&#8211; Facebook, no perfil &#8220;Andr\u00e9 Marinho&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum se dizer que no Brasil, o ano s\u00f3 come\u00e7a ap\u00f3s o carnaval. 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