{"id":674,"date":"2020-01-25T15:16:42","date_gmt":"2020-01-25T15:16:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=674"},"modified":"2023-02-28T14:20:00","modified_gmt":"2023-02-28T14:20:00","slug":"fundacao-da-cidade-do-rj","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=674","title":{"rendered":"Funda\u00e7\u00e3o da cidade do RJ"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tela-da-Funda\u00e7\u00e3o-da-cidade-do-RJ.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-675\" src=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tela-da-Funda\u00e7\u00e3o-da-cidade-do-RJ-300x128.jpg\" alt=\"Tela da Funda\u00e7\u00e3o da cidade do RJ\" width=\"300\" height=\"128\" srcset=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tela-da-Funda\u00e7\u00e3o-da-cidade-do-RJ-300x128.jpg 300w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tela-da-Funda\u00e7\u00e3o-da-cidade-do-RJ-209x90.jpg 209w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tela-da-Funda\u00e7\u00e3o-da-cidade-do-RJ-320x136.jpg 320w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tela-da-Funda\u00e7\u00e3o-da-cidade-do-RJ.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No m\u00eas de janeiro, mais uma vez, comemorou-se o Dia de S\u00e3o Sebasti\u00e3o que coincide com a funda\u00e7\u00e3o oficial da cidade, mas lamentavelmente esse passado de grandes batalhas e feitos \u00e9picos continua sendo negligenciado pelas autoridades locais. A cidade tur\u00edstica, ainda n\u00e3o aprendeu a respeitar e promover sua hist\u00f3ria. Hoje, al\u00e9m de n\u00e3o ser ensinado nas escolas, poucos cariocas sabem o que foi a BATALHA DO URU\u00c7UMIRIM, um acontecimento digno de filmes hollywoodianos esquecido propositadamente da nossa oralidade popular.<\/p>\n<p>A aldeia de Uru\u00e7umirim era um entrincheiramento realizado por uma enorme pali\u00e7ada que se estendia da atual praia do flamengo at\u00e9 as redondezas do outeiro da Gl\u00f3ria. Podemos chamar de &#8220;QG&#8221; da na\u00e7\u00e3o TUPINAMB\u00c1, a maior etnia do litoral sudeste, tamb\u00e9m chamados de Tamoios. Calcula-se que seus dom\u00ednios \u00edam da divisa com Santos (SP) at\u00e9 o norte do atual Rio de Janeiro (outras aldeias dessa etnia tamb\u00e9m se fixaram no nordeste), esse era o cen\u00e1rio quando da chegada dos portugueses. Eles possu\u00edam uma longa rivalidade com os \u00edndios da na\u00e7\u00e3o TEMIMIN\u00d3, que fugindo do poderio do inimigo tinham se refugiado na Ilha de Paranapu\u00e3 (atual ilha de Paquet\u00e1, no RJ). Como tamb\u00e9m os tupinamb\u00e1s se tornaram inimigos dos portugueses por sucessivas tentativas de escraviz\u00e1-los naturalmente criou-se uma alian\u00e7a e eles liderados pelo cacique Maracaj\u00e1-gua\u00e7u seguiram para a ent\u00e3o Capitania do Esp\u00edrito Santo, onde se reorganizaram, logo em seguida foram catequisados pelos jesu\u00edtas e se tornaram um importante ex\u00e9rcito armado da coroa portuguesa, chegando a juntar 8000 \u00edndios ao comando do filho do chefe, que iria entrar para a hist\u00f3ria do Rio de Janeiro, o guerreiro ARARIB\u00d3IA.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os franceses se estabeleceram na Ba\u00eda de Guanabara, a partir de 1555, em uma expedi\u00e7\u00e3o francesa comandada por Nicolas Durand de Villegaignon. Fundou aqui uma col\u00f4nia, que ganhou o nome de FRAN\u00c7A ANT\u00c1RCTICA. Desse povoamento h\u00e1 v\u00e1rios documentos e registros p\u00fablicos. Seu relacionamento com os tupinamb\u00e1s se resumia em escambos de pau-brasil, pimenta, algod\u00e3o, macacos e papagaios em troca de contas de vidro, panos, espelhos, roupas, chap\u00e9us, anz\u00f3is, machados e facas. Segundo o antrop\u00f3logo brasileiro Darcy Ribeiro, os franceses se uniram \u00e0s \u00edndias locais, gerando mais de mil mesti\u00e7os que povoaram toda a regi\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara. Tal pode ser a origem do atual sotaque carioca, que \u00e9 caracterizado pelo &#8220;erre&#8221; t\u00edpico do franc\u00eas e inexistente no portugu\u00eas de Portugal e dos demais estados brasileiros, nas l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras e nas l\u00ednguas dos negros africanos. Estudiosos acreditam que brigas religiosas dentro do povoado contribu\u00edram para seu enfraquecimento, pois foram trazidos tantos huguenotes quanto cat\u00f3licos, num momento que a pr\u00f3pria Fran\u00e7a vivia um conturbado momento pol\u00edtico-religioso, culminando na tr\u00e1gica Noite de S\u00e3o Bartolomeu, em 1572.<\/p>\n<p>Diante disso, em 1553, o governador-geral do Brasil, Tom\u00e9 de Sousa, recomendou, em carta ao rei portugu\u00eas Dom Jo\u00e3o III, a cria\u00e7\u00e3o de uma cidade no local, ent\u00e3o para esse fim foi enviado para a col\u00f4nia seu sobrinho EST\u00c1CIO DE S\u00c1. O pr\u00f3prio lidera uma expedi\u00e7\u00e3o e funda um povoado portugu\u00eas entre os morros Cara de c\u00e3o e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, no atual bairro da URCA, em 1\u00ba de mar\u00e7o de 1565, com um efetivo de 220 homens, que passou a aguardar a chegada de refor\u00e7os portugueses. O vilarejo recebeu o nome de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, em homenagem ao rei de Portugal da \u00e9poca, D. Sebasti\u00e3o I. N\u00e3o tarda para iniciar os ataques dos tupinamb\u00e1s e franceses durante dois anos deixando os soldados acuados entre as encostas dos morros e a Ba\u00eda da Guanabara. Em janeiro de 1567, Mem de S\u00e1 organiza um ataque at\u00e9 ent\u00e3o sem precedentes na rec\u00e9m empossada col\u00f4nia. Enviou tr\u00eas gale\u00f5es, dois navios, seis caravelas e muitas embarca\u00e7\u00f5es menores da Bahia com a presen\u00e7a do padre Jos\u00e9 de Anchieta, ao mesmo tempo um enorme ex\u00e9rcito de \u00edndios lideradas por Ararib\u00f3ia se deslocaram do Esp\u00edrito Santo para a rec\u00e9m fundada Capitania Real do Rio de Janeiro. Iria come\u00e7ar a VINGAN\u00c7A dos Temimin\u00f3s.<\/p>\n<p>Chegaram no dia 18 de janeiro, mas s\u00f3 atacaram no dia 20, escolheram o dia do santo. De um lado havia outro temido guerreiro chamado AIMBER\u00ca, l\u00edder dos Tupinamb\u00e1s, do outro lado, Ararib\u00f3ia, tinha se tornado o cacique, ap\u00f3s a morte de seu pai. A batalha envolveu 1200 combatentes (as for\u00e7as temimin\u00f3-portuguesas somavam mais de 420 combatentes) e se dividiram em v\u00e1rias frentes atacando ao mesmo tempo a Ilha de Paranapu\u00e3 e as pali\u00e7adas de Uru\u00e7umirim. Segundo as lendas que sempre surgem nessas batalhas, teria Arariboia atravessado as \u00e1guas da ba\u00eda \u00e0 nado para liderar o assalto. Galgando penhascos, ele foi o primeiro a entrar no baluarte inimigo. Empunhava uma tocha, com a qual explodiu o paiol de p\u00f3lvora e abriu caminho para o ataque. Durante a luta, uma flecha envenenada raspou o rosto de Est\u00e1cio de S\u00e1, que morreu posteriormente, v\u00edtima de infec\u00e7\u00e3o. Ao ataque, seguiu-se uma matan\u00e7a noturna, da qual as for\u00e7as portuguesas e temimin\u00f3s sa\u00edram vitoriosas. No combate tamb\u00e9m morreu o l\u00edder Aimber\u00ea, cuja cabe\u00e7a (e as de outros l\u00edderes ind\u00edgenas) foi cortada e exibida numa estaca. Seiscentos tamoios e cinco franceses morreram na batalha de Uru\u00e7umirim, e dez franceses foram enforcados no dia seguinte \u00e0 batalha, de acordo com os registros de Anchieta: &#8220;&#8230; 160 aldeias incendiadas, passado tudo a fio de espada&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Os portugueses recuperaram o controle sobre a ba\u00eda de Guanabara. A partir da\u00ed, a cidade do Rio de Janeiro, que, entrementes, havia sido fundada por Est\u00e1cio de S\u00e1 em 1565 no sop\u00e9 do morro Cara de C\u00e3o, teve assegurada sua sobreviv\u00eancia e foi transferida para o topo do Morro do Castelo, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Os franceses e tupinamb\u00e1s sobreviventes fugiram para o interior, na regi\u00e3o de Cabo Frio. Com a vit\u00f3ria sobre os invasores, Mem de S\u00e1, governador geral, achou melhor manter os bravos guerreiros por perto e atendeu \u00e0 peti\u00e7\u00e3o de Ararib\u00f3ia, que solicitava umas terras na &#8220;Banda d&#8217;Al\u00e9m&#8221;. Em 1573, receberam um terreno no outro lado da ba\u00eda de Guanabara, onde teria a miss\u00e3o de proteger o outro lado da entrada da ba\u00eda fundando a aldeia de S\u00c3O LOUREN\u00c7O DOS \u00cdNDIOS, que depois receberia o nome de Niter\u00f3i. Foi a \u00fanica cidade na hist\u00f3ria do Brasil fundada por um \u00edndio.<\/p>\n<p>Como a rela\u00e7\u00e3o entre os \u00edndios e o homem branco nunca foi pac\u00edfica n\u00e3o tardou o surgimento de um foco de tens\u00e3o, quando houve a troca do Governador da Reparti\u00e7\u00e3o Sul do Estado do Brasil (com sede no Rio de Janeiro), Ant\u00f4nio Salema. Na cerim\u00f4nia de posse, o mesmo criticou o fato do velho cacique estar sentado de pernas cruzadas, ouvindo como resposta: &#8221; &#8230; Minhas pernas est\u00e3o cansadas de tanto lutar pelo seu Rei, por isto eu as cruzo ao sentar-me, se assim o incomodo, n\u00e3o mais virei aqui! &#8230; &#8221;<\/p>\n<p>E assim o fez.<\/p>\n<p>Tanto o RJ como Niter\u00f3i, at\u00e9 hoje n\u00e3o sabem valorizar e manter suas hist\u00f3rias e mem\u00f3rias ind\u00edgenas. Uma pena terem optado pelo processo de desaparecimento, assim como tentam fazer com a cultura negra. A cidade e as novas gera\u00e7\u00f5es precisam conhecer seu passado !!!<\/p>\n<p>Obs: Tela de Antonio Firmino Monteiro sobre a Funda\u00e7\u00e3o da cidade<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz S. Marinho<\/p>\n<p>(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)<\/p>\n<p>Veja mais sobre cultura brasileira:<br \/>\nInstagram &#8211; @bondeangola<br \/>\nFacebook &#8211; Andr\u00e9 marinho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas de janeiro, mais uma vez, comemorou-se o Dia de S\u00e3o Sebasti\u00e3o que coincide com a funda\u00e7\u00e3o oficial da cidade, mas lamentavelmente esse passado de grandes batalhas e feitos \u00e9picos continua sendo negligenciado pelas autoridades locais. A cidade tur\u00edstica, ainda n\u00e3o aprendeu a respeitar e promover sua hist\u00f3ria. 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