{"id":655,"date":"2020-01-05T14:17:35","date_gmt":"2020-01-05T14:17:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=655"},"modified":"2023-02-28T14:23:40","modified_gmt":"2023-02-28T14:23:40","slug":"tata-tancredo-do-omoloko-ao-reveillon","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=655","title":{"rendered":"Tat\u00e1 Tancredo &#8211; Do Omolok\u00f4 ao r\u00e9veillon"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-de-Tat\u00e1-Tancredo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-669\" src=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-de-Tat\u00e1-Tancredo-243x300.jpg\" alt=\"Foto de Tat\u00e1 Tancredo\" width=\"243\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-de-Tat\u00e1-Tancredo-243x300.jpg 243w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-de-Tat\u00e1-Tancredo-320x395.jpg 320w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-de-Tat\u00e1-Tancredo.jpg 486w\" sizes=\"(max-width: 243px) 100vw, 243px\" \/><\/a><br \/>\n<span style=\"\">\u201c &#8230; L\u00e1 vem o general da Banda \u00ea\u00ea\u00ea<br \/>\nL\u00e1 vem o General da Banda \u00ea\u00eaa<br \/>\nMour\u00e3o! Mour\u00e3o!<br \/>\nVara madura que n\u00e3o cai<br \/>\nMour\u00e3o! Mour\u00e3o!<br \/>\nCutuca por baixo<br \/>\nQue ela vai &#8230;\u201d<br \/>\n(Tat\u00e1 Tancredo)<\/span><\/p>\n<p>Todo final de ano o carioca faz seus rituais no r\u00e9veillon. Veste branco, vai para praia, leva flores ao mar e realiza uma s\u00e9rie de gestos, mas poucos se perguntam, quando isso come\u00e7ou? Essa informa\u00e7\u00e3o foi trazida pelo grande historiador Luis Antonio Simas, que n\u00e3o s\u00f3 desvendou sua origem, como seu grande idealizador, o lend\u00e1rio e m\u00edtico griot carioca, TAT\u00c1 TANCREDO SILVA PINTO.<\/p>\n<p>Sua vida daria um livro, mas impressionantemente sua hist\u00f3ria \u00e9 pouco divulgada. Ele foi uma refer\u00eancia emblem\u00e1tica de um passado que as autoridades da cidade parecem insistir em ocultar. Tancredo foi um grande l\u00edder pol\u00edtico, espiritual e cultural do povo negro. Destacou-se como compositor chegando a gravar com Moreira da Silva, Blecaute, Z\u00e9 Keti, Jorge Veiga e outros tantos. Viveu no Est\u00e1cio e participou da cria\u00e7\u00e3o da DEIXA FALAR, a primeira escola de samba do Brasil. Sua obra mais conhecida \u00e9 \u201cGENERAL DA BANDA\u201d \u2013 louva\u00e7\u00e3o a Ogum e cantiga famosa nas rodas de pernada e batucadas da cidade. Tamb\u00e9m ajudou na organiza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das escolas de samba do RJ, embri\u00e3o que seria a posteriormente a Associa\u00e7\u00e3o das Escolas de Samba.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foi sua lideran\u00e7a como guardi\u00e3o do OMOLOK\u00d4 (antiga religi\u00e3o afro-brasileira que gera controv\u00e9rsias entre os estudiosos, pois para alguns \u00e9 considerada uma esp\u00e9cie de Umbanda, para outros ela seria o pai da umbanda carioca e, finalmente, tamb\u00e9m h\u00e1 quem a defenda como um tipo de candombl\u00e9). Seus conhecimentos nesses ritos o fizeram ser famoso no RJ. Come\u00e7ou a arriar suas oferendas nas praias mais distantes da Zona Sul na d\u00e9cada de 1940, no dia 2 de fevereiro, como na Bahia, numa deserta Copacabana. Com o fim do corte da segunda galeria do T\u00fanel Novo s\u00f3 conclu\u00edda em 1949, o bairro explodiu demograficamente e o 2 de fevereiro foi sendo substitu\u00eddo pelo 31 de dezembro, na d\u00e9cada de 50.<\/p>\n<p>Ainda na d\u00e9cada de 40, Tancredo teria recebido um sinal de Xang\u00f4 para que ele fundasse uma sociedade para proteger os umbandistas, a exemplo do que fez para os sambistas, ent\u00e3o foi fundada a UNI\u00c3O ESPIRITISTA DE UMBANDA DO BRASIL, a primeira institui\u00e7\u00e3o criada para defender a umbanda no pa\u00eds, posteriormente tamb\u00e9m criaria a Confedera\u00e7\u00e3o Umbandista do Brasil, usando parte do pagamento recebido pelo direito autoral do samba \u201cGeneral da Banda\u201d, gravado por Blecaute. Tamb\u00e9m viajou para outros estados ajudando a fundar outras federa\u00e7\u00f5es umbandistas para defender os direitos dos cultos afro-brasileiros entre eles S\u00e3o Paulo, Recife, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, tendo nesse \u00faltimo feito muitos eventos e v\u00e1rios filhos de santo, l\u00e1 h\u00e1 casas de Omolok\u00f4 at\u00e9 hoje, como a do pai OKAL\u00c1 DE XANG\u00d4. Segundo registros, os cultos eram realizados com bandolim, cavaquinho e \u00f3rg\u00e3o, porque n\u00e3o eram permitidos os atabaques, devido \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es policiais, isso at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 50.<\/p>\n<p>Tat\u00e1 Tancredo (\u201ctata\u201d \u00e9 pai, no quimbundo e no quicongo, tronco \u00e9tnico-lingu\u00edstico da tradi\u00e7\u00e3o Bant\u00fa) tamb\u00e9m foi um grande te\u00f3rico da cultura afro-brasileira e foi um ferrenho opositor das propostas de &#8220;desafricaniza\u00e7\u00e3o&#8221; da Umbanda defendidas no Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda de 1941. Uma tentativa de &#8220;embraquecimento&#8221; da religi\u00e3o na primeira metade do s\u00e9culo XX, sempre defendeu que sem a ancestralidade negra e ind\u00edgena, n\u00e3o havia culto.<\/p>\n<p>Recebeu em Sess\u00e3o Solene na C\u00e2mara Estadual do antigo Estado da Guanabara, o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Carioca, pelos servi\u00e7os prestados em favor do povo umbandista era natural de Cantagalo. Foi autor de trinta e duas obras liter\u00e1rias divulgando a Umbanda, entre elas: Iyao, Camba de Umbanda, Catecismo de Umbanda, Negro e Branco na Cultura Religiosa Afro-Brasileira, Mirongas de Umbanda, Er\u00f3 da Umbanda, Cabala Umbandista, Doutrina e Ritual de Umbanda no Brasil, Revista Mironga, todas hoje obras raras. Teve uma coluna semanal no Jornal O DIA durante 25 anos, aonde escrevia sobre religiosidade e cultura negra.<\/p>\n<p>Tancredo achava que a luta pela afirma\u00e7\u00e3o da umbanda e das religi\u00f5es afro-ind\u00edgenas do Brasil dependia da divulga\u00e7\u00e3o e da cria\u00e7\u00e3o de redes de prote\u00e7\u00e3o social. E via nas festas p\u00fablicas um momento prop\u00edcio para isso, afinal a festa faz parte de nossas culturas populares. Sendo assim, com o intuito de divulgar os cultos afros, criou as festas religiosas de Yemanj\u00e1, no Rio de Janeiro; a festa a Yalox\u00e1, em Pampulha, e Cruzand\u00ea, em Minas Gerais, a festa do Preto-Velho, em Inhoa\u00edba, homenageando a grande yalorix\u00e1 M\u00e3e Senhora, na cidade do Rio de Janeiro, a festa de Xang\u00f4 em Pernambuco, al\u00e9m do evento \u201cVoc\u00ea sabe o que \u00e9 Umbanda?\u201d, realizado no Est\u00e1dio do Maracan\u00e3, na d\u00e9cada de 1960. Al\u00e9m da hist\u00f3rica \u201cFesta da Fus\u00e3o\u201d, quando fez uma reza no meio da Ponte Rio-Niter\u00f3i, aben\u00e7oando a fus\u00e3o do Estado da Guanabara com o Estado do RJ. Tudo isso era poss\u00edvel devido seus estreitos contatos com v\u00e1rias autoridades da \u00e9poca como Chagas Freitas, Negr\u00e3o de Lima, Golbery, Carlos Lacerda, entre outros.<\/p>\n<p>Tancredo deixou um incr\u00edvel legado para a cidade e sua cultura diasp\u00f3rica. Ajudou na organiza\u00e7\u00e3o do samba, dos terreiros de umbanda, percebeu a import\u00e2ncia de se mostrar a beleza de nossa cultura afro-brasileira para o grande p\u00fablico, criando eventos que hoje est\u00e3o no calend\u00e1rio oficial das cidades (RJ, BH, Recife, Porto Alegre, por exemplo) e pode ter sido o grande influenciador da tradi\u00e7\u00e3o carioca de aproxima\u00e7\u00e3o com o candombl\u00e9, criando o que se chama no RJ de &#8220;UMBANDA TRAN\u00c7ADA&#8221; ou &#8220;Umbandombl\u00e9&#8221;. Sua hist\u00f3ria deveria ser mais estudada e pesquisada. Mais uma vez palmas para o Luis At\u00f4nio Simas !!!<\/p>\n<p>O grande Griot foi sepultado no dia 2 de setembro de 1979, no Cemit\u00e9rio de S\u00e3o Francisco Xavier (Caju). Seu corpo foi velado no Il\u00ea de Umbanda Bab\u00e1 Oxalufan, em Coelho Neto. Hoje a confraterniza\u00e7\u00e3o nas areias virou atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, atrai pessoas do mundo inteiro, que usam o branco nas festas vips das redes hoteleiras. Em contrapartida, os atabaques foram silenciados e os terreiros buscaram alternativas para continuar batendo em praias for a dessa &#8220;centralidade tur\u00edstica&#8221;.<\/p>\n<p>Foi mais uma apropria\u00e7\u00e3o cultural, em nome de um disfar\u00e7ado racismo carioca !!!!<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz S. Marinho<\/p>\n<p>(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)<\/p>\n<p>Veja mais sobre cultura brasileira no:<br \/>\nInstagram &#8211; @bondeangola<br \/>\nFacebook &#8211; Andre Marinho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c &#8230; L\u00e1 vem o general da Banda \u00ea\u00ea\u00ea L\u00e1 vem o General da Banda \u00ea\u00eaa Mour\u00e3o! Mour\u00e3o! Vara madura que n\u00e3o cai Mour\u00e3o! Mour\u00e3o! Cutuca por baixo Que ela vai &#8230;\u201d (Tat\u00e1 Tancredo) Todo final de ano o carioca faz seus rituais no r\u00e9veillon. 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