{"id":646,"date":"2019-11-20T21:37:14","date_gmt":"2019-11-20T21:37:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=646"},"modified":"2023-02-28T14:25:41","modified_gmt":"2023-02-28T14:25:41","slug":"lp-o-canto-dos-escravos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=646","title":{"rendered":"LP &#8211; &#8220;O canto dos escravos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Capa-da-frente.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-648\" src=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Capa-da-frente.jpg\" alt=\"Capa da frente\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Capa-da-frente.jpg 500w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Capa-da-frente-300x225.jpg 300w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Capa-da-frente-320x240.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em homenagem ao Dia da Consci\u00eancia Negra, deixo o registro aqui de uma obra fonogr\u00e1fica de grande import\u00e2ncia para os estudos afro-brasileiros e registros da cultura oral, o LP &#8220;O Canto dos escravos&#8221;, gravado em S\u00e3o Paulo, na Gravadora Eldorado, em 1982.<\/p>\n<p>Projeto elaborado pelo famoso sambista paulista GERALDO FILME, compositor de sambas famosos e \u00edcone do carnaval de SP, com forte liga\u00e7\u00e3o com o bairro do Bexiga, ele convidou dois \u00edcones cariocas para emprestarem suas vozes tamb\u00e9m no disco: CLEMENTINA DE JESUS e TIA DOCA da Portela.<\/p>\n<p>O LP faria registro de antigas can\u00e7\u00f5es de trabalho dos negros escravizados da minera\u00e7\u00e3o, os chamados vissungos. Essas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o um raro registro da cultura Bant\u00fa, maioria entre os negros que trabalhavam nas minas. O projeto foi inspirado no livro &#8220;O Negro e o garimpo em Minas Gerais&#8221; (Editora Jos\u00e9 Ol\u00edmpio) de AIRES DA MATA MACHADO FILHO, aonde o autor conseguiu resgatar 65 cantingas autorizando a grava\u00e7\u00e3o de quatorze e cinco partituras registradas naquela obra.<\/p>\n<p>Aires nasceu em 1909 no distrito diamantinense de S\u00e3o Jo\u00e3o da Chapada, no seio de uma fam\u00edlia de destaque pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Formado em Letras, especializou-se em filologia e se tornou um dos maiores intelectuais de MG, sendo integrante da Academia Mineira de Letras, da Academia Brasileira de Filologia, da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Minas Gerais, da Comiss\u00e3o Nacional de Folclore, da Academia Carioca de Letras, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia, da Sociedade Brasileira de Filologia e do Conselho Estadual de Cultura, uma refer\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Em 1928, gozando f\u00e9rias em S. Jo\u00e3o da Chapada, munic\u00edpio de Diamantina, o fil\u00f3logo ficou envolvido com as cantigas em l\u00edngua africana ouvidas nos servi\u00e7os de minera\u00e7\u00e3o. As estadias no arraial passaram a ser constantes e, ap\u00f3s conversas com antigos moradores e cantores, passou a fazer anota\u00e7\u00f5es sobre aquele rico universo que se revelava para ele. Passou a recolher os &#8220;VISSUNGOS&#8221;, reunindo ainda o vocabul\u00e1rio e a gram\u00e1tica da &#8220;l\u00edngua de Benguela&#8221;, regi\u00e3o entre o Congo e Angola. Depois de recolher farto material passou a pesquisar com outros livros de linguistas e etn\u00f3grafos, assim estabeleceu confrontos e refor\u00e7ou hip\u00f3teses. Dessa forma nasceu o livro &#8220;O NEGRO E O GARIMPO EM MINAS GERAIS&#8221; em 1939. Teve o texto publicado pela Revista do Arquivo Municipal de S\u00e3o Paulo e o livro lan\u00e7ado em 1943, pela Livraria Jos\u00e9 Olympio. A aceita\u00e7\u00e3o do trabalho foi t\u00e3o grande no meio intelectual que, logo em 1945, foi agraciado com o Pr\u00eamio Jo\u00e3o Ribeiro da Academia Brasileira de Letras.<\/p>\n<p>Ao mergulhar no universo dos vissungos os sambistas aproximaram nosso tempo com o canto dos escravos mineiros do s\u00e9culo XVIII. As interpreta\u00e7\u00f5es antol\u00f3gicas, como a de Clementina de Jesus, revelam um canto e uma musicalidade que parecia estar perdida, apesar de ser mostrar t\u00e3o comum quando ouvida. V\u00e1rios foram os elogios ao resultado da grava\u00e7\u00e3o e estudiosos passam a defender que essa oralidade \u00e9 um contraponto aos regulamentos impostos e institu\u00eddos pela ind\u00fastria fonogr\u00e1fica. Abriu-se o caminho para projetos semelhantes de busca pela oralidade de nossas tradi\u00e7\u00f5es &#8220;perdidas&#8221;. Assim como as miss\u00f5es de pesquisas folcl\u00f3ricas do SPHAN tb fizeram em 1938. Um ind\u00edcio de que a criatividade art\u00edstica ainda pode propor est\u00e9ticas musicais que ainda n\u00e3o foram padronizadas.<\/p>\n<p>O LP est\u00e1 dispon\u00edvel no You Tube, no Link: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gil3Mw32OnU&amp;fbclid=IwAR2pMwy2Eh4p7iDiqPTSGWfMcaiOrZnbsJeZeKdbQbCZHigUIi4YepZiXDw<\/p>\n<p>Um belo tema para se pensar nesse dia !!!<\/p>\n<p>Vamos nos descolonizar &#8230;<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz S. Marinho<\/p>\n<p>(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)<\/p>\n<p>Veja mais sobre cultura brasileira:<\/p>\n<p>Instagram &#8211; @bondeangola<\/p>\n<p>Facebook \u2013 Andr\u00e9 Marinho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em homenagem ao Dia da Consci\u00eancia Negra, deixo o registro aqui de uma obra fonogr\u00e1fica de grande import\u00e2ncia para os estudos afro-brasileiros e registros da cultura oral, o LP &#8220;O Canto dos escravos&#8221;, gravado em S\u00e3o Paulo, na Gravadora Eldorado, em 1982. 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