{"id":637,"date":"2019-10-25T14:11:28","date_gmt":"2019-10-25T14:11:28","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=637"},"modified":"2023-02-28T14:27:13","modified_gmt":"2023-02-28T14:27:13","slug":"camafeu-de-oxossi-a-essencia-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=637","title":{"rendered":"Camafeu de Ox\u00f3ssi &#8211; A ess\u00eancia da Bahia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Foto-Camafeu-pose.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-638\" src=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Foto-Camafeu-pose.jpg\" alt=\"Foto - Camafeu pose\" width=\"591\" height=\"943\" srcset=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Foto-Camafeu-pose.jpg 591w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Foto-Camafeu-pose-188x300.jpg 188w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Foto-Camafeu-pose-320x510.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nesse m\u00eas de outubro marca a data de nascimento h\u00e1 104 anos de um dos maiores ativistas culturais que a Bahia j\u00e1 teve, o famoso Camafeu de Ox\u00f3ssi. Seu nome era \u00c1pio Patroc\u00ednio da Concei\u00e7\u00e3o, mas ficou conhecido pelo seu apelido, CAMAFEU, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de j\u00f3ia em formato de pedra talhada, usada pelas senhoras da sociedade para prender a gola de seus vestidos. Geralmente esse broche tinha como principal atrativo uma figura em relevo do rosto de uma senhora ou do seu esposo. Conta a oralidade que o jovem \u00c1pio ao trope\u00e7ar na rua caiu e encontrou uma dessas j\u00f3ias, ele achou t\u00e3o linda que passou a usar, ganhando assim o apelido. O complemento com a palavra OX\u00d3SSI foi introduzido por ele mesmo, pois \u00e9 o orix\u00e1 do pante\u00e3o iorub\u00e1 do qual ele era filho. Imposs\u00edvel falar da Bahia da segunda metade do s\u00e9culo XX, sem cit\u00e1-lo.<br \/>\nSua vida de t\u00e3o agitada merecia um livro. Foi \u00f3rf\u00e3o de pai muito cedo e teve que ajudar a m\u00e3e a criar dezesseis irm\u00e3os. O menino aprendeu a se virar nas ruas do Maciel (atual Pelourinho). Estudou na Escola de Art\u00edfices e l\u00e1 mal aprendeu a ler e escrever teve que abandonar os estudos para virar vendedor ambulante nas proximidades do Elevador Lacerda e Mercado Modelo. Depois virou engraxate. Menino esperto que era fez amizade com o pessoal das docas, tornando-se estivador na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Na rua aprendeu tamb\u00e9m a capoeira e arte de tocar berimbau com os velhos mestres. Frequentava as rodas de capoeira da cidade e chegou a ser considerado um dos melhores tocadores de berimbau de Salvador, junto com Mestre Gato. J\u00e1 na fase adulta, o jovem \u00c1pio montou a famosa barraca \u201cS\u00e3o Jorge\u201d, que na Bahia possui sincretismo com Ox\u00f3ssi, seu protetor, no antigo MERCADO MODELO, na Pra\u00e7a Cairu, aonde vendia artigos regionais para turistas, tocava berimbau e compunha afox\u00e9s, sua barraca se tornou um verdadeiro espa\u00e7o de refer\u00eancia cultural da cidade e foi frequentado por muita gente famosa, acad\u00eamicos e artistas. Chegou a ganhar de presente do famoso pintor Caryb\u00e9 quatro placas pintadas para enfeit\u00e1-la, as quais ele n\u00e3o vendia por pre\u00e7o nenhum. Era uma grande atra\u00e7\u00e3o do mercado que reunia cerca de 200 vendedores. Quando Mercado pegou fogo, em 1969, ele, j\u00e1 uma personalidade p\u00fablica, ganhou do ent\u00e3o Prefeito de Salvador, ACM (Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es), a concess\u00e3o para um restaurante no novo mercado constru\u00eddo na cidade baixa, sua inaugura\u00e7\u00e3o foi em 1971. Rapidamente se tornou um p\u00f3lo gastron\u00f4mico aonde se poderia provar a aut\u00eantica culin\u00e1ria baiana e ouvir um pouco de suas famosas hist\u00f3rias sobre a cidade e personagens ilustres das ruas, ningu\u00e9m conhecia Salvador como ele. Assim ele repete o sucesso da sua barraca do antigo mercado e volta a receber artistas, pol\u00edticos, turistas, transformando seu restaurante numa refer\u00eancia cultural soteropolitana. O Restaurante existe at\u00e9 hoje, no segundo andar chamado \u201cCamafeu de Ox\u00f3ssi\u201d, hoje ainda \u00e9 um dos pontos tur\u00edsticos da cidade.<\/p>\n<p>Em 1961, ele fez parte da primeira turma de estudo do idioma ioruba, criado na UFBA (Universidade Federal da Bahia), que se formou em 1964, com duas aulas por semana ministradas por um professor nigeriano chamado Benese Lasebikan de Tund\u00ea, tornou-se um dos poucos com flu\u00eancia no idioma na cidade. Soube utilizar esse conhecimento para compor seus afox\u00e9s e cantigas de capoeira. Na viagem para Dakar, no Senegal, no I Festival de Artes Negras, da qual ele fez parte junto com Mestre Pastinha e outros capoeiristas de Salvador, em 1966, foi o \u00fanico que conseguia se comunicar com as outras delega\u00e7\u00f5es. Foi l\u00e1 que ele fez uma famosa apresenta\u00e7\u00e3o junto com a lend\u00e1ria OLGA DO ALAKETU, tamb\u00e9m integrante da comitiva, para aproximadamente 10 mil pessoas, no final foram aplaudidos de p\u00e9.<\/p>\n<p>Em 1967, foi lan\u00e7ado seu primeiro LP &#8220;BERIMBAUS DA BAHIA&#8221;, ao qual n\u00e3o ganhou nenhum centavo da gravadora Continental e depois, em 1968, s\u00f3 no segundo LP gravado pela Philips \u00e9 que teve seu valor reconhecido, sendo pago pela sua obra. Tamb\u00e9m dividia sua vida de comerciante com o de responsabilidades no Terreiro de candombl\u00e9 &#8220;Il\u00ea Ax\u00ea Op\u00f4 Afonj\u00e1&#8221;, um dos mais antigos da cidade, aonde recebeu das m\u00e3os da famosa M\u00e3e Senhora o cargo de OB\u00c1 DE XANG\u00d4, uma honraria dentro daquela casa dado aos seus protetores. Era muito querido pelas principais m\u00e3es de santo da cidade e costumava nas suas festas sempre entonar antigas cantigas iorubanas em homenagem \u00e0s matriarcas. Al\u00e9m disso, o j\u00e1 internacional Camafeu, ainda seria escolhido pelo destino para uma \u00faltima miss\u00e3o cultural, presidir o Afox\u00e9 Filhos de Gandhi, que n\u00e3o desfilava devido a uma crise financeira desde 1973. O Afox\u00e9 anos depois mudaria sua gest\u00e3o e se tornaria no fen\u00f4meno de massas que \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Camafeu de Ox\u00f3ssi, devido a suas muitas qualidades, tornou-se um \u00edcone da cidade de Salvador, capital do estado da Bahia. Ele \u00e9 citado em diversas m\u00fasicas (cantadas por Martinho da Vila, Grupo Originais do Samba, Candeia, entre outros. Todos dispon\u00edveis no You Tube) e livros que retrataram a cidade na segunda metade do s\u00e9culo XX. Jorge Amado teria se inspirado nele para criar personagens em pelo menos quatro obras: Teresa Batista, Tenda dos Milagres, Dona Flor, Tieta do Agreste e Bahia de todos os santos.<\/p>\n<p>Faleceu em 1994 v\u00edtima de um c\u00e2ncer. Seu enterro no Cemit\u00e9rio da Ordem Terceira do S\u00e3o Francisco parou a Bahia e contou com a presen\u00e7a de v\u00e1rios amigos e admiradores daquele que era uma das maiores autoridades da cultura afro-brasileiro.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz S. Marinho<\/p>\n<p>(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)<\/p>\n<p>Saiba mais sobre nossa cultura atrav\u00e9s do:<\/p>\n<p><span style=\"\">Instagram: @bondeangola<\/span><br \/>\n<span style=\"\">Facebook: <\/span><span style=\"\">Andr\u00e9 Marinho<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse m\u00eas de outubro marca a data de nascimento h\u00e1 104 anos de um dos maiores ativistas culturais que a Bahia j\u00e1 teve, o famoso Camafeu de Ox\u00f3ssi. 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