{"id":472,"date":"2018-06-22T18:20:09","date_gmt":"2018-06-22T18:20:09","guid":{"rendered":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=472"},"modified":"2023-02-28T18:51:56","modified_gmt":"2023-02-28T18:51:56","slug":"tambor-de-crioula","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/?p=472","title":{"rendered":"Tambor de crioula"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Foto-do-Tambor-de-crioula.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-473\" src=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Foto-do-Tambor-de-crioula.jpg\" alt=\"Foto do Tambor de crioula\" width=\"880\" height=\"587\" srcset=\"http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Foto-do-Tambor-de-crioula.jpg 880w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Foto-do-Tambor-de-crioula-300x200.jpg 300w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Foto-do-Tambor-de-crioula-710x473.jpg 710w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Foto-do-Tambor-de-crioula-320x213.jpg 320w, http:\/\/ipcb-rj.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Foto-do-Tambor-de-crioula-211x142.jpg 211w\" sizes=\"(max-width: 880px) 100vw, 880px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os praticantes dssa manifesta\u00e7\u00e3o afro-brasileira, que pode ser apresentada, preferencialmente, ao ar livre, em qualquer \u00e9poca do ano, comemoram seu dia no m\u00eas de junho. O Tambor de crioula ou punga \u00e9 uma dan\u00e7a praticada por descendentes africanos escravizados no estado brasileiro do Maranh\u00e3o, em louvor a S\u00e3o Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. \u00c9 uma dan\u00e7a alegre, marcada por muito movimento dos brincantes e muita descontra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os motivos que levam os grupos a dan\u00e7arem o tambor de crioula s\u00e3o variados podendo ser: pagamento de promessa para S\u00e3o Benedito, festa de anivers\u00e1rio, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemora\u00e7\u00e3o pela vit\u00f3ria de um time de futebol, nascimento de crian\u00e7a, matan\u00e7a de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reuni\u00e3o de amigos.<br \/>\nA dan\u00e7a n\u00e3o requer ensaios. Originalmente n\u00e3o exigia um tipo de indument\u00e1ria fixa, mas nos dias atuais a dan\u00e7a pode ser vista com as brincantes vestidas em saias rodadas com estampas em cores vivas, an\u00e1guas largas com renda na borda e blusas rendadas e decotadas brancas ou de cor. Os adornos de flores, colares, pulseiras e tor\u00e7os coloridos na cabe\u00e7a terminam de compor a caracteriza\u00e7\u00e3o da dan\u00e7ante. Os homens trajam cal\u00e7a escura e camisa estampada.<\/p>\n<p>A anima\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com o canto puxado pelos homens com o acompanhamento das mulheres. Um brincante puxa a toada de levantamento que pode ser uma toada j\u00e1 existente ou improvisada. Em seguida, o coro, integrado pelos instrumentistas e pelas mulheres, chamadas de coreiras, acompanha, passando esse canto a compor o refr\u00e3o para os improvisos que se suceder\u00e3o. Os temas, puxados livremente em toadas, podem ser classificados como de auto-apresenta\u00e7\u00e3o, louva\u00e7\u00e3o aos santos protetores, s\u00e1tiras, homenagem \u00e0s mulheres, desafio de cantadores, fatos do cotidiano e despedida.<\/p>\n<p>Foi a Lei n\u00ba 13.248 de 12 de janeiro de 2016 estabeleceu a data de 18 de junho como o dia do Tambor de Crioula e o inseriu no Livro das Formas de Express\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial. O &#8220;Tambor de Crioula&#8221; foi catalogado pelo IPHAN como forma de express\u00e3o maranhense de origem afro-brasileira que conjuga dan\u00e7a circular, canto e percuss\u00e3o de tambores em louvor a S\u00e3o Benedito. Sob o sereno da noite nas pra\u00e7as ou no cora\u00e7\u00e3o dos terreiros, os tributos ao referido santo n\u00e3o ocorrem em datas fixadas previamente, mas, normalmente, s\u00e3o realizados depois de encerrados o carnaval e os festejos de S\u00e3o Jo\u00e3o ou ap\u00f3s o segundo s\u00e1bado do m\u00eas de agosto, per\u00edodo que coincide com as &#8220;Rodas de Boi-Bumb\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento efetuado pelos pesquisadores respons\u00e1veis pelo invent\u00e1rio desse bem, essas duas manifesta\u00e7\u00f5es, historicamente, ocorriam acopladas como celebra\u00e7\u00f5es articuladas. A &#8220;matan\u00e7a de boi&#8221; era e continua sendo encerrada com uma roda de tambor. Os depoimentos inclusos entre os documentos reunidos no invent\u00e1rio do &#8220;Tambor de Crioula&#8221;, quando se referem \u00e0s suas origens, em geral fazem alus\u00e3o \u00e0 \u00e9poca da escravid\u00e3o e aos mitos criados em torno da figura de S\u00e3o Benedito, considerado o santo protetor dos negros. Nas reminisc\u00eancias dos mais antigos e nas hist\u00f3rias lend\u00e1rias transmitidas por gera\u00e7\u00f5es, o santo \u00e9 recriado ora como &#8220;um escravo que foi \u00e0 mata, cortou um tronco de \u00e1rvore e ensinou os outros negros a fazer e a tocar o tambor&#8221;, ora como um &#8220;cozinheiro do monast\u00e9rio que levava comida escondida em suas vestes para os pobres&#8221;.<\/p>\n<p>O que se sabe \u00e9 que, na pr\u00e1tica, ele nasceu para disfar\u00e7ar exerc\u00edcios de briga e que, provavelmente, ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura tenha mudado o car\u00e1ter do ritual, incluindo a mulher como dan\u00e7ante, tornando-se uma brincadeira festiva. Seja como for, S\u00e3o Benedito \u00e9 homenageado por percussionistas e dan\u00e7arinas que comp\u00f5em mais de sessenta grupos catalogados pelo IPHAN. Estas, embaladas pelo ritmo cont\u00ednuo dos tambores e absortas nas &#8220;toadas&#8221; (conflu\u00eancia da percuss\u00e3o e voz dos &#8220;coreiros&#8221; ou cantadores), &#8220;tocam o ventre umas das outras&#8221;, num gesto interpretado como &#8220;sauda\u00e7\u00e3o e convite&#8221;. Esse movimento coreogr\u00e1fico caracter\u00edstico do bailado atinge seu ponto culminante na &#8220;punga&#8221;, mais conhecida como &#8220;umbigada&#8221;.<\/p>\n<p>Entre as formas de prote\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do &#8220;Tambor de Crioula&#8221; constam programas de incentivo aos compositores, apoio ao registro audiovisual e fonogr\u00e1fico, ou seja, medidas que visam a assegurar a transmiss\u00e3o dos saberes e o amparo aos antigos mestres. Ali\u00e1s, no dia da proclama\u00e7\u00e3o e dos festejos que envolveram a inser\u00e7\u00e3o do Tambor no Livro de Express\u00f5es, houve grande confraterniza\u00e7\u00e3o entre os integrantes de v\u00e1rios grupos de Tambor de S\u00e3o Luis (Maranh\u00e3o). Nessa oportunidade, alguns mestres, quando entrevistados, chamaram a aten\u00e7\u00e3o para o papel social do registro e sua import\u00e2ncia no \u00e2mbito da &#8220;sustentabilidade dos grupos e das comunidades&#8221;. Os Mestres mais respeitados e conhecidos no Maranh\u00e3o foram os Mestre Felipe e Mestre Leonardo.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Luiz S. Marinho<\/p>\n<p>(Contramestre de capoeira Angola e pesquisador de cultura popular)<\/p>\n<p><span style=\"\">Saiba mais sobre as tradi\u00e7\u00f5es populares<\/span><span style=\"\">\u00a0seguindo:<\/span><\/p>\n<p>Instagram: bondeangola<br \/>\nFacebook: Andr\u00e9 Marinho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os praticantes dssa manifesta\u00e7\u00e3o afro-brasileira, que pode ser apresentada, preferencialmente, ao ar livre, em qualquer \u00e9poca do ano, comemoram seu dia no m\u00eas de junho. 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